Vale do Pinhão: Curitiba precisa de muito mais do que um nome engraçadinho para ser referência em tecnologia

Prefeito Rafael Greca, durante eleições, já falava a empresários sobre o Vale do Pinhão

Nos últimos quatro anos, Curitiba viveu um “período de trevas” no incentivo ao setor de tecnologia. A prefeitura da cidade congelou programas importantes como o ISS Tecnológico e o Tecnoparque, cuidou mal da relação com o ICI, principal fornecedor de TI do município, abandonou o Parque de Software. A criação de uma secretaria para Tecnologia Informação não mostrou qualquer resultado positivo. A cidade pagou o preço: viu Florianópolis despontar como “capital tecnológica” e apresentou menos iniciativas inovadoras do que municípios do interior do Paraná.

Agora, em uma elogiável demonstração de boa vontade, o novo prefeito Rafael Greca anuncia a criação do “Vale do Pinhão” para incentivar a economia criativa, as startups e o setor de TI. Mas a novidade, que lembra o tom poético do criador precisa mostrar que pode ser mais que rima. Curitiba precisa, mesmo, é de uma grande solução. O problema é que esse Vale do Pinhão parece com iniciativas que já não funcionaram em um passado recente, a começar pelo nome: a gestão anterior apoiou a tal da Capivalley, que também tinha um nome engraçadinho, mas não vingou. Afastadas as capivaras inspiradoras das mídias sociais da gestão anterior, cria-se outra marca que se identifica com a população local, mas que pode acabar não convencendo o mercado lá fora. Afinal, aposta em tecnologia é para vender para o mundo. Essa é a força do Vale do Silício.

Além do novo nome, outra aposta de Greca é a ocupação de um espaço decadente no bairro Rebouças. A ideia é integrar o setor produtivo à academia, com universidades instaladas ao redor. Mas a área nunca atraiu a atenção do empresariado do setor. Já se apostou nessa região quando Beto Richa foi prefeito e o incentivo do Tecnoparque, por exemplo, acabou sendo estendido para toda a cidade, na gestão de Luciano Ducci, porque não havia espaço para todos nas áreas delimitadas e a demarcação interessava mais aos especuladores imobiliários do que aos empreendedores da TI local.

Se Curitiba quer ser grande em tecnologia, precisa ir além do “mais do mesmo” e de soluções batidas, que voltam com rótulo diferente. Acredito que o primeiro passo seja a criação de uma Governança de TI municipal, tomando, como exemplo, o que se criou, recentemente, em nível estadual para a convergência de ideias e estratégias. Mas o mais importante é ouvir a voz de quem cria as soluções inovadoras. A união do setor produtivo com poder público e academia é muito boa, ,mas o Facebook não foi criado pelo reitor de Harvard, a Microsoft não é obra de um governador e a Apple não surgiu de algum devaneio do prefeito de Cupertino. Empreendedorismo é coisa de empreendedores.

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