Novo normal: como será o modelo híbrido entre teletrabalho e escritório

Por José Renato de Mello Gonçalves – Head de América Latina da Orange Business Services

O trabalho remoto e a interação digital se multiplicaram durante a crise de saúde que ainda estamos vivendo este ano. Após vários meses de isolamento social, empresas e colaboradores começaram a refletir sobre como será o retorno ao escritório, algumas até, se realmente vale voltar. Quais serão os novos hábitos, desafios e necessidades e como se preparar para a transição iminente?

Diversos estudos e pesquisas recentes ajudam a projetar uma imagem mais concreta de como será o contexto que surge no novo normal.

Segundo estudo do CIPPEC, o percentual de empregos com potencial de execução domiciliar na América Latina fica entre 27% e 29% e os ramos de atividade econômica mais bem preparados para uma “passagem acelerada” para a plataforma digital são: financeiras e seguros (61%), informação e comunicação (58%), educação (71%), imobiliário (54%) e profissional, científico e técnico (60%).

Em contrapartida, os ramos nos quais as atividades não são facilmente transferidas para o mundo virtual são: agricultura, pecuária, caça, silvicultura e pesca (22%), indústria de transformação (17%), transporte e armazenagem (13%), administrativas e suporte (17%), construção (10%) e serviços domésticos (5%). É interessante notar que, mesmo para os ramos que são considerados ‘fáceis’ de seguir remotamente, a migração para o digital é um desafio quando consideramos a infraestrutura geral das residências – fato que ficou claro neste cenário de migração dos escritórios para as casas.

Por outro lado, no caso dos funcionários, uma pesquisa desenvolvida pela Mercer y Whalecom revelou que 82% dos funcionários dariam preferência ao ‘home office’ se pudessem escolher a forma de trabalhar; 63% responderam que se sentem mais eficientes atuando nesta modalidade.

Repensar o teletrabalho como uma oportunidade para empresas

Como munir colaboradores com ferramentas que promovam autonomia fora dos espaços habituais de trabalho? Se não tiverem um PC ou smartphone de trabalho, eles podem usar seu próprio equipamento, desde que se conectem por meio de uma solução BYOD gerenciada e segura.

O trabalhador em situação remota precisa conseguir produzir o mesmo que quando no escritório e, do ponto de vista de TI, isso significa que ele precisa conseguir acessar suas pastas e arquivos, além de suas ferramentas de trabalho (aplicativos, por exemplo), de forma rápida, segura e, de preferência, simples. Para tal, o sistema de informação da empresa deve estar acessível nas mesmas condições de desempenho, interação, capacidade e segurança do escritório. A tecnologia de nuvem tem sido a grande aliada das empresas neste quesito.

Uma maior variedade de interações remotas

Antes desta crise de saúde, muitas empresas já trabalhavam na modernização de suas ferramentas colaborativas, principalmente no que diz respeito à transição para a nuvem. Os freios eram principalmente tecnológicos e culturais: muitos gerentes dependiam do “presencial” e certas interações pareciam muito difíceis à distância. O isolamento fez com que esses recuos fossem suspensos rapidamente, de modo a acelerar e diversificar as interações digitais, mantendo os links: reuniões, workshops de brainstorming, comitê de gestão, coaching, treinamento, entre outros.

Sinergia de ferramentas e infraestrutura

Incluir o teletrabalho na vida da empresa significa repensar ferramentas colaborativas, infraestruturas de TI, métodos de colaboração remota, acesso e gerenciamento de rede. Enquanto alguns gestores já deram muita autonomia às equipes e já se habituaram a usufruir de várias plataformas, soluções e ferramentas digitais, outros têm ainda de se habituar a isso.

Estamos realmente caminhando para um modelo híbrido?

É difícil prever como serão os negócios amanhã: o trabalho presencial, complementado pelo remoto continuará a ser a norma ou iremos passar para um modelo em que predomine a atuação remota?

A pesquisa “Teletrabalho em contextos de isolamento social na Argentina”, desenvolvida pela Red Internacional de Educación para el Trabajo (RIET), coletou informações sobre os fatores que afetam a produtividade dos colaboradores. Das pessoas que estão em “home office” por conta do contexto de isolamento social, 63% querem continuar nessa modalidade ao final da quarentena. Entre os principais tópicos salientados, afirma-se que o formato permite aumentar a produtividade (35%) e poupar tempo de deslocamento (29%). No entanto, 50% disseram que gostariam de trabalhar à distância apenas duas vezes na semana, seguidos daqueles que preferem 3 e 4 vezes (33%).

Penso que o caminho será de um mundo cada vez mais híbrido, com mais pessoas trabalhando de seus lares. Mas também vejo o escritório sendo o local ideal para estimular o trabalho coletivo e a criatividade.

Há uma hipótese de que as empresas possam transformar suas infraestruturas de TI e também seus espaços de trabalho para torná-los mais colaborativos. A única certeza: a companhia pós-Covid terá grande interesse em cultivar um vínculo forte entre as equipes por meio de reuniões físicas para manter a eficiência coletiva baseada na confiança e na afinidade. O trabalho remoto bem-sucedido funciona melhor quando os colaboradores já possuem uma conexão prévia.

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