Como as relações familiares interferem nos negócios de uma empresa?

O Brasil possui 21,4 milhões de empresas, sendo que 90% delas são compostas por integrantes de uma mesma família. Separar a vida profissional das relações familiares já não é uma tarefa fácil, imagine quando as duas coisas andam juntas. Situações cotidianas das famílias como casamentos, nascimento, criação e educação dos filhos, casais de meia-idade e o envelhecimento de seus membros normalmente influenciam no desempenho das empresas.

Segundo a advogada Monique de Souza Pereira, sócia do escritório Souza Pereira Advogados, em Curitiba e Nelson Luiz Paula de Oliveira, coordenador do Capítulo Paraná do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), de forma geral, a maioria das empresas familiares passa por quatro estágios sequenciais, regidos pelo envelhecimento biológico de seus membros. “O primeiro deles, conhecido como estágio da jovem família empresária, é marcado pelo casamento e pelos primeiros anos de vida dos filhos. Nessa fase, fará parte dos planos do casal iniciar uma atividade empresarial, de forma que tempo, energia e dinheiro poderão ser escassos, o que exigirá muito esforço de ambos para que o negócio se desenvolva”, diz Monique.

O segundo estágio ocorre quando os filhos entram na empresa familiar. “É um momento delicado para os jovens, já que eles precisam optar por trabalhar na empresa da família ou desenvolver a carreira que escolheram para si, não necessariamente dentro dos negócios familiares”, aponta a advogada, ressaltando que o terceiro estágio, descrito como trabalho em conjunto, é identificado quando 1a e 2a gerações da família dividem o mesmo espaço dentro da empresa, somando esforços para potencializar o sucesso do negócio.

Na avaliação de Nelson, ambas as gerações podem ter dificuldade para pensar e falar sobre o assunto sucessão, sendo muito comum, infelizmente, ocorrer um evento inesperado para que essa transição aconteça de forma desestruturada e não planejada, por meio de doenças e falecimentos, por exemplo. “Para evitar surpresas desagradáveis, é importante que membros de empresas familiares se antecipem aos acontecimentos e já deixem tudo escrito e organizado de forma muito transparente, para que as próximas gerações conduzam com maestria as empresas e os negócios deixados pela família”, avalia.

O estabelecimento de uma governança e a organização da sucessão deve ser bem estabelecida para que a empresa passe pelo quarto estágio de forma tranquila. “Conhecido como a passagem do bastão, este estágio é marcado por um choque de forças opostas: a dificuldade da geração mais velha em sair da empresa e a da geração mais nova em esperar”, afirma Oliveira, ressaltando que existe um grande temor do fundador de perder a estatura heroica alcançada ao longo de anos de dedicação à empresa e com ela também perder status, poder e outras recompensas que a posição lhe proporciona.

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